• João Fortunato

A Krespinha chegou, causou e já se mandou

O tamanho do dano à imagem e a reputação de qualquer marca ou empresa envolvida em uma crise está relacionado intimamente com o tempo em que permanece exposta de forma negativa na mídia e, agora também, nas redes sociais.


Nas crises as respostas precisam ser rápidas. E assertivas. De nada adianta correr para responder às demandas impostas pela crise se dúvidas persistirem. Nesse caso, o melhor sempre é esperar e se expor na certeza! O recuo para correção de rumo é sempre um agravante e poder gerar percepções muito piores.



Esta semana tivemos a crise da Krespinha, esponja de aço da Bombril, fabricante brasileira de produtos de limpeza, que há 70 anos dormia em seu portfólio de produto e que agora iria despertar com uma injeção de verba em sua publicidade.


É, iria! O tempo do verbo, futuro do pretérito, está correto. Iria, masnão vai mais!

A Krespinha voltou para o seu “sono” eterno, de onde jamais deveria ter despertado, porque quando a Bombril lançou luz sobremarca, protestos de consumidores e grupos organizados encheram a sua caixa postal e invadiram as de redes sociais. Diante de tal movimentação, a mídia também lançou seus olhares sobre a polêmica. E ampliou o problema para a empresa.


Mas o que a Krespinha fez para chamar atenção do público e até da mídia de 1ª linha? A marca ficou famosinha, porém não sem razão.E de uma forma muito negativa.

Consumidores, ativistas e grupos organizados viram uma associação pejorativa da marca do produto com o cabelo das pessoas negras. Consideraram o produto racista.

Infelizmente, a história do produto confirma esta percepção. Em 1952, a S. A. Barros Loureiro Industria e Comércio, vendida em São Paulo na loja Sabarco, lançou uma esponja de nome idêntico e usava em sua embalagem o desenho de uma menina negra em seus anúncios. Havia uma clara associação da mulher negrapesado.

A Bombril, assim que viu a reação do público nas redes sociais e damídia, não perdeu tempo. Soltou um comunicado pedindo sinceras desculpas, dizendo que jamais teve a intenção de ofender pessoas ou grupos.


E não só, na mesma tacada a empresa também já avisou que o produto saiu definitivamente de seu portfólio. Ou seja, se não mudar de nome de conceito, vai dormir o sono eterno.


Hoje, dando um giro pela mídia e redes sociais, não há mais menção à marca, nome de empresa e à polêmica criada por esta ação mercadológica infeliz.

Como frisei logo no início do Brand Security Podcast, a empresa agiu rápido, de forma assertiva e apagou o incêndio mitigando assim possíveis prejuízos á sua imagem e reputação.


É possível tirar mais uma lição importante desse fato. O marketing da Bombril não fez a lição de casa. Já que o produto existe há 70 anos, deveria ter visitado a sua história, conhecido suas embalagens e analisado o texto que apontava as suas “qualidades”.

E se também estivesse ligado no presente, perceberia que o nome, que já era acintoso quando foi criado, soaria politicamente incorreto nos dias de hoje. Erro primário. Crise desnecessária, que surge apenas e tão somente porque o marketing da empresa não fez a sua lição de casa.


Este acontecimento tem tudo a ver com o no Brand SecurityPodcast de ontem, onde tratamos dos consumidores de ideias. São justamente estes ativistas e grupos organizados, que abraçam umcausa e empunham suas bandeiras. E vão à luta sem medo, por vezes contra gigantes.

0 visualização

©2020 por R&F Comunicação Corporativa