• Isabel Rodrigues

Acusação de assédio sexual abala imagem de Neymar Júnior

O caso pode custar caro ao jogador brasileiro


Neymar Júnior, astro da seleção brasileira e ídolo do Paris Saint Germain, de Paris, França, onde vive atualmente, foi acusado de assédio sexual por uma funcionária da Nike, fabricante de materiais esportivos. O caso teria ocorrido na cidade de Nova Iorque, EUA, nos idos de 2016, conforme informou o Wall Street Journal. A Nike contratou uma empresa para investigar e confirmar ou não a acusação. Neymar Júnior nega! É um caso “explosivo”, indiscutivelmente, que serviria de capa para qualquer periódico sensacionalista. Contudo, este artigo não tem a intenção de trafegar sobre os possíveis “vereditos” do caso, mas sim dos seus reflexos na imagem pública do jogador. Culpado ou inocente – o que se saberá ao fim da investigação – pouco ou nada acrescentará ao desgaste de imagem que o jogador brasileiro já sofre, desde que a história ganhou as ruas e esquinas do mundo. De acordo com a empresa americana, a decisão de tornar público o caso envolvendo o seu ex-contratado, mais de cinco anos após a sua ocorrência, foi motivada pela atitude pouco colaborativa do jogador em elucidá-lo. De acordo com o pai de Neymar Júnior, a história é outra e tem como mote o rompimento do contrato entre a empresa e seu filho. A conferir! Independentemente das razões que motivam as partes, o que se revela no momento é uma contenda entre dois gigantes do universo esportivo que, juntos e separados, movimentam milhões de dólares por ano. É difícil prever o resultado dessa disputa, que certamente se dará também no campo jurídico, mas pelo pouco já jogado, Neymar Júnior começa o jogo em ligeira desvantagem. Seu contrato com a Nike, longevo, diga-se de passagem – assinou aos 13 anos de idade -, foi rescindido em 2020. Não foi divulgado o quanto deixou de pingar mensalmente em sua conta bancária, mas este valor agora é o que menos importa, pois o seu prejuízo poderá será bem maior se não administrar com eficiência e eficácia esta sua “crise de imagem”. A Nike, em termos de patrocínio, é página virada. O problema agora está nos demais, firmados com outras grandes empresas. Neymar Júnior é jovem, “estiloso” e, como jogador de futebol, muito habilidoso. É ídolo mundial e não somente dos amantes de futebol. Por isso, sua imagem vale quanto pagam. Mas o tipo de acusação que sofreu, de assédio sexual (a segunda; da primeira foi absolvido), não pega nada bem e se o caso não for administrado de forma profissional – sobretudo racional – e rapidamente deixar os holofotes da mídia, empresas patrocinadoras podem questionar se é sensato continuar associadas a um ídolo com imagem pública questionável. Tiger Woods, jovem gênio americano do golfe, que o diga. Suas estrepolias extraconjugais lhe custaram milhões de dólares em perdas de patrocínio e quase também a sua carreira. Não é o pai de Neymar, por certo, que deve liderar a “defesa” de sua imagem pública”. É compreensível a sua reação, de pai preocupado, mas ele deve entender que não é com emoção que se resolve este tipo de disputa. Do outro lado, não há dúvidas, existem inúmeros profissionais de comunicação experientes, sem medo de esgrimar com argumentos bem elaborados qualquer que seja a arena e o local definidos. O ideal é que Neymar Júnior se apoie em profissionais de comunicação sérios, especializados em gestão de crise reputacional, igualmente experimentados, para preservar a sua imagem e, consequentemente, os seus contratos de patrocínios. Atuais e futuros. Agora, o ideal para Neymar Júnior – e seu pai – é recuar, ficar na sua, não falar nada e deixar que os profissionais especializados o preparem para o momento certo de reaparecer e oferecer o seu lado da história, com segurança e controle. Um caso dessa envergadura e pelo quanto vale financeiramente, por certo, não é para os seus famosos “parças”. Tomara que a verdade apareça em breve e, qualquer que seja o lado, os responsáveis – pelo assédio ou acusação injustificada – sejam devidamente punidos.


*Isabel Rodrigues, profissional de Relações Públicas, mestre em comunicação e cultura midiática.

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