• Isabel Rodrigues

Famosos tropeçam no bom senso e perdem prestígio, seguidores e patrocínios

Ex-jogadora de vôlei e apresentador de televisão falam o que pensam sem pensar nas consequências e recebem enxurradas de críticas



Por Isabel Rodrigues


Ser conhecido e influente, sobretudo depois do surgimento das redes sociais, dá dinheiro. E muito para alguns. Estas figuras, antes conhecidas como líderes de opinião e hoje como influencers, no entanto, precisam saber lidar com os papéis que desempenham. Seus jeitos e trejeitos, assim como suas falas sobre isso e aquilo, estão o tempo todo sob o escrutínio do público que os mantém em evidência, lá no topo. Um tropeço na linha fina denominada de politicamente correto pode significar uma queda e tanto. De prestígio e de faturamento.


Que o digam a ex-jogadora e ídolo do vôlei brasileiro, Fernanda Venturini, e o recém-conhecido Sikêra Jr., apresentador do tipo escandaloso do policialesco Alerta Nacional, que vai ao ar pela Rede TV, além de figura ativa no Youtube. Ambos passaram dos limites e agora sofrem com críticas pesadas e, consequentemente, com a perda de seguidores. E de patrocínios, claro.


Venturini falou o que pensava e depois disse que não falou aquilo que disse. Incrível! O problema é que a ex-atleta gravou um vídeo, que se tornou público, dizendo que tinha desconfianças da vacina contra a Covid-19 e que somente iria tomá-la porque queria viajar o mundo. E como se não bastasse, disse ainda que preferia a da Pfizer, que era a menos ruim. A repercussão, é óbvio, foi grande e emparedou a ex-jogadora, que imediatamente veio a público dizer que jamais foi contra a vacina e que não disse o que disse e que está gravado em vídeo e à disposição do mundo na Internet. A resposta mal pensada, inclusive, serviu como lenha na fogueira e aqueceu ainda mais a discussão. O seu contra-ataque ficou no bloqueio.


Já o recém-conhecido Sikêra Jr., que gosta de enfatizar para o público a amizade que mantém com o Presidente da República e seus filhos, na véspera da comemoração do “Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+”, atacou a comunidade chamando os seus membros de “raça desgraçada”. Associou homossexualidade com pedofilia e afirmou que “protegia a crianças”. Absurdo! Seu discurso misturou má-fé, ignorância e ódio. A sua “valentia de auditório” teve um preço. E bastante alto. De imediato, inúmeros patrocinadores, com medo do contágio, cortaram o patrocínio ao programa. E não só isso: emitiram nota comunicando a decisão e afirmando que não apoiam nenhuma palavra, vírgulas e pontos do discurso de ódio do apresentador.


A campanha nas redes sociais pelo cancelamento de Venturini e Sikêra Jr. prossegue firme e forte. E não deve parar tão cedo. Vale lembrar que os pedidos de praxe, de desculpas aos ofendidos, já não funcionam mais. De tanto uso, estão desacreditados. Ambos, Venturini e Sikêra, até podem silenciar sobre o tema e, quem sabe, dar um tempo nas redes sociais, mas é certo que o caso vai demorar para cair no esquecimento. Em tempos de Internet, memória não se apaga!


As palavras da ex-jogadora Venturini contrariam o esforço nacional de vacinar toda a população contra a Covid-19 o mais rápido possível. Todos sabem que existe uma parcela de brasileiros renitentes e o comentário negacionista de uma líder de opinião ajuda a ampliar a dúvida. Já Sikêra Jr., ao destilar ódio em rede nacional contra a comunidade LGBTQIA+, pode aquecer o preconceito e ampliar a possibilidade de atos de violência. Sua irresponsabilidade reincidente vai na contramão do esforço da sociedade pelo acolhimento, integração e respeito a estes brasileiros que, queira ou não o apresentador de TV, tem os mesmos direitos e deveres que ele enquanto cidadãos.


O líder de opinião / influencer tem que saber que, para se manter no imaginário popular de maneira positiva, tem que ter um comportamento igualmente positivo. Precisa lembrar também que os olhos do público estão voltados para ele o tempo todo, acompanhando seus passos, gestos e falas. E que qualquer deslize pode macular para sempre a sua imagem pública. É um caminho sem volta!


Isabel Rodrigues é mestre em Comunicação e Cultura Midiática e professora universitária.

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